Artigos científicos são escritos para outros pesquisadores, e isso explica por que muitos professores desistem no segundo parágrafo. A boa notícia é que dá para extrair o que importa sem ler do começo ao fim, na ordem em que o texto foi escrito.

Uma ordem de leitura que economiza tempo

  1. Título e resumo. Dizem o tema, o método e o resultado principal. Se não tratar do seu problema, pare por aqui.
  2. Conclusões. Leia o que os autores afirmam ter encontrado antes de ver como chegaram lá.
  3. Metodologia. É a parte que permite julgar a confiança do resultado: quem participou, onde, por quanto tempo, o que foi medido.
  4. Resultados e discussão. Procure os trechos que sustentam a conclusão e as limitações que os próprios autores reconhecem.
  5. Introdução e referências. Servem para situar o estudo e para encontrar outras leituras.

Seis perguntas para fazer ao texto

  • Quem participou, e quantos eram? Um estudo com vinte estudantes de uma escola não fala pela rede inteira.
  • Onde e quando foi feito? Uma escola privada, urbana ou de outro país pesa na comparação com a sua realidade.
  • Como o resultado foi medido? Prova, observação, questionário e entrevista dizem coisas diferentes.
  • Havia grupo de comparação? Sem ele, é difícil saber se a mudança veio da intervenção ou apenas do tempo.
  • Os autores apontam limitações? Um texto que não declara nenhuma merece mais cautela, não menos.
  • O resultado vale para a minha turma? A decisão é sua, e a resposta raramente é sim ou não, quase sempre é “em parte”.

Onde encontrar estudos em português

Algumas bases reúnem pesquisa brasileira em educação: a SciELO, o Portal de Periódicos da Capes, o Google Acadêmico e a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações. Parte do acervo do Portal da Capes exige acesso institucional. Dissertações e teses costumam descrever o método com mais detalhe do que um artigo, porque não têm limite rígido de espaço.

Não confunda um estudo com um consenso

Um artigo é uma peça de evidência, não a palavra final. Quando vários estudos, em contextos diferentes, chegam a conclusões parecidas, a confiança aumenta. Quando um único estudo promete resultados extraordinários, a prudência recomenda esperar que outros o repitam.

Ao citar um estudo no planejamento ou em um trabalho, indique autor e ano, e monte a referência no formato da ABNT (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2018). Dizer “a ciência diz” não deixa os colegas conferirem a fonte; “Silva (2021) observou” deixa.

Referências

  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6023: informação e documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2018.

Como citar este texto (ABNT)

PEREIRA, Geovanildo Martins. Como ler um artigo científico quando você é professor, e não pesquisador. Didática Digital, Natal, 14 set. 2026. Disponível em: <https://didaticadigital.com/artigos/como-ler-um-artigo-cientifico/>. Acesso em: data da consulta.

Geovanildo Martins Pereira

Educador e desenvolvedor de tecnologia educacional

Licenciado em Informática pelo IFRN, em Natal (RN). Pesquisa letramento digital no ensino fundamental e desenvolve a plataforma BRAIN, ferramenta de gestão educacional com inteligência artificial para escolas brasileiras. Mais sobre o blog.